Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Capitães da Areia

por Nunol0pes, em 23.11.21

capitaes da areia.jpg.crdownload

Por vezes, de tanto ouvirmos falar de um livro, queremos também nós ler e perceber o porquê de tanta “conversa”.  Foi o que me aconteceu com o “Capitães da Areia” de Jorge Amado.  Embora ainda fosse bastante jovem, o universo de telenovelas como Tieta ficou gravado na minha memória. Sempre adorei aqueles mundos cómicos e muito próprios. Decidi tentar verificar se era mesmo assim e decidi ler “Capitães da Areia”.

Devo começar por um apontamento de honestidade: até mais de meio do livro, a leitura foi penosa. Custou ler. As letras ficavam a navegar à frente dos olhos, mas nada me cativava. A situação só mudou quando surge Dora no enredo. De repente, fiquei cativado e rapidamente cheguei ao final e com a sensação de que queria mais.

De que nos fala este livro? De um grupo de meninos e adolescentes rejeitados pela sociedade de São Salvador da Bahia que se vão tornando marginais. Esses meninos são os Capitães da Areia e vivem em comunidade. Existe um líder: Pedro Bala. Vamos acompanhando as suas aventuras e desventuras. As suas fugas à polícia ou do reformatório, os roubos, os esquemas, a proteção do padre José Pedro, de Don’Aninha (a mãe de santo). Enfim, vamos entrando num mundo cruel, no início do século XX, em que a pobreza e a riqueza coexistem em São Salvador da Bahia.

Depois de um início tão difícil, afinal até gostei de ler este livro e recomendo.

Vão ver que vale a pena. Depois partilhem o que acharam.

publicado às 21:12

Alice no País das Maravilhas

por Nunol0pes, em 30.09.21

500_9789896530051_bis_alice_pais_maravilhas.jpg

Quando damos rédea solta à imaginação podem surgir grandes obras. Alice no País das Maravilhas é exemplo disso mesmo. Todos conhecemos este fantástico mundo imaginado por Lewis Carroll (pseudónimo de Charles Lutwidge Dogson). Encontramos os seus vestígios no cinema, na televisão, no teatro e até mesmo em outros autores. É um mundo de tal forma nonsense e absurdo que consegue cativar cada novo leitor.

A Rainha de Copas, o Coelho Branco, o Chapeleiro Maluco, a Lebre de Março, o Gato de Cheshire são só alguns dos personagens que Alice encontrou naquele mundo fantástico que brotou na sua imaginação durante uma bela soneca. Quem não gostaria de ter acesso ao cogumelo e poder aumentar ou diminuir de tamanho? Quem não gostaria de conhecer a terrível Rainha de Copas e ouvir a sua frase “cortem-lhe a cabeça”? Quem não gostaria de conhecer o Gato de Cheshire?

É um livro infantil que me deliciou durante a sua leitura.

E tu, já leste as aventuras de Alice no País das Maravilhas?

publicado às 18:37

A Quinta dos Animais

por Nunol0pes, em 21.09.21

a-quinta-dos-animais.jpg

Na Quinta do Feudo, os animais sentiram-se maltratados pelo proprietário, o Sr. Jones. Inspirados pelo Major, um velho e sábio porco, fazem a sua revolução. Expulsam Jones e restantes seres humanos e tomam em mãos a gestão da quinta, que passam a chamar de Quinta dos Animais. A revolução é liderada por Bola-de-Neve e Napoleão, dois porcos bastante inteligentes. São criados os mandamentos dos animais. São pensadas regras maravilhosas, como a igualdade de todos os animais ou a idade da reforma. Tudo parece correr bem, mas...

Em todas as revoluções existem perigos e nesta também existiram. O perigo mais óbvio seria talvez o de os humanos tentaram recuperar o que consideravam seu (o que aconteceu por duas vezes). Mas, como em todas as revoluções, o real perigo não era esse. O verdadeiro perigo era o poder, pois o poder corrompe. Napoleão não gostou da experiência de partilhar o poder e tratou de expulsar o Bola-de-Neve (muito mais inteligente que ele próprio). Tratou de garantir que ele não regressaria, usando-o como bode expiatório para todas as coisas que corriam menos bem. Da igualdade dos animais restou apenas aquele que no final ficou como único mandamento: “Todos os animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais do que outros” (não sei porquê, esta frase lembrou-me imediatamente dos “portugueses de bem”). De uma bela ideia revolucionária nasceu uma nova forma de ditadura. Da Quinta dos Animais regressaram à Quinta do Feudo.

É com recurso à sátira que George Orwell nos apresenta esta sua crítica à corrupção do idealismo pelo poder a que se assistiu no século XX. Podemos encontrar em cada um dos animais, principalmente nos porcos, equivalência com políticos desse século. Para mim, ler nesta obra uma crítica pura ao socialismo é altamente redutor. Orwell podia ter o socialismo em mente, mas esta fábula deve servir de alerta para todas as formas de “revolução” que nos são oferecidas nos nossos dias. Vivemos um tempo em que todos podemos ser como o Major e fazer grandes e belos discursos, cheios de ideais, graças ao fulgor das redes sociais. O problema são os que são como Napoleão e que só querem o poder pelo poder. Eles têm varas de “porcos” e matilhas de “cães” para fazer o seu trabalho sujo. Basta ver os comentários a qualquer notícia nas redes sociais para os observarmos em ação. Vivemos tempos difíceis. Dizem-nos que os Jones são um perigo, mas apenas querem tomar o seu lugar.

Não existem regimes ideais e governantes perfeitos. Quanto mais perfeitos nos parecerem os regimes e os governantes mais devemos temer (no caso português basta ver como tem vindo a ser lavada a imagem do ditador que oprimiu o país no século XX). Defendo a democracia e defendo os democratas, mas tenho noção de que, embora sejamos a maioria, vamos sendo cada vez menos.

Leiam este livro. Leiam várias vezes. Meditem sobre ele. É o que vou fazer!

publicado às 19:20

Triplo

por Nunol0pes, em 01.09.21

Triplo.jpg

Eu sei que se torna cansativo elogiar a escrita de Ken Follett, pelo que vou tentar não o fazer desta vez. Mas é tarefa muito difícil, pois ele escreve mesmo (muito) bem.

Este livro, de nome Triplo, tem um daqueles temas que poderiam levar ao maior dos aborrecimentos como leitor: após a criação e primeiros passos do estado de Israel, começa a corrida ao armamento nuclear e Israel não quer atrasar-se em relação aos seus vizinhos e inimigos.

Espionagem, contra-espionagem, agentes duplos, CIA, KGB, Mossad, Máfia... e o romance (claro que o amor não poderia faltar) são os ingredientes que tão sabiamente são misturados por Ken Follett. A nós, leitores, compete a tarefa mais fácil: devorar.

Já devem ter percebido que adorei, certo? Que esperam para ler Ken Follett?

publicado às 19:30

Kingsbridge: O Amanhecer de uma Nova Era

por Nunol0pes, em 06.08.21

image-1_0658d91b-b066-4440-a131-465bc99bb3d2_1024x

Quando soube que, em 2020, tinha sido publicada Kingsbridge: O Amanhecer de uma Nova Era, imediatamente fiquei com vontade de a ler. Apaixonado que sou pela escrita de Ken Follett e tendo adorado a série iniciada com Os Pilares da Terra (a que se seguiram Um Mundo sem Fim e Uma Coluna de Fogo), tinha mesmo que ler esta prequela que nos conta a história do surgimento de Kingsbridge. São quase 700 páginas, divididas em 4 partes. A escrita é de tal forma boa que tive que me obrigar a cumprir horários de leitura, senão lá se iam as noites de sono.

A ação passa-se em Inglaterra na Idade Média (997 dC a 1007 dC). As gentes vivem em condições que hoje consideraríamos desumanas. As injustiças são tantas que se tornam banais. O poder da força ainda impera. É nesse ambiente que somos introduzidos na trama com uma incursão viking numa cidade portuária inglesa. A chacina é grande. Edgar e sua família são afastados para uma quinta pobre junto a um rio. Junto à quinta existe um mosteiro e, junto a este, uma taberna. Em ambos os locais se observam devassidão e pecado. Ragna, nobre normanda, a caminho do seu casamento, passa por essa localidade. Sente repulsa. Sente-se mal. É neste ambiente que começa a desenrolar-se uma história cheia de traição, amor e política. Vencerá o amor?

O autor tem arte na criação dos personagens. Conseguimos sentir as suas dúvidas, indecisões e raivas. Conseguimos sentir as injustiças. Sentimos a impotência de quem só observa e nada pode fazer. Poucos são os que conseguem escrever desta forma e Ken Follett é um mestre.

Como já deves ter percebido, adorei o livro. Foi com tristeza que fui lendo as últimas páginas, por sentir que estava a chegar ao fim.

Esta é uma excelente sugestão para leitura nas férias. Aproveita!

publicado às 18:36

1984

por Nunol0pes, em 17.07.21

1984.jpg

Se me falassem de Eric Arthur Blair não faria ideia de quem me estariam a falar. Pelo contrário, se me falarem de George Orwell (pseudónimo do Eric Arthur Blair), então aí associo logo ao tipo que concebeu a ideia do Big Brother. Posso parecer bronco, mas pelo menos sou um bronco honesto. (Nota importante: para os mais incautos, gostaria de esclarecer que não estou a falar do programa da TVI ou da Teresa Guilherme, embora o mesmo se tenha, de alguma forma, baseado na obra de que estamos a falar)

Já há alguns anos que sentia curiosidade em ler a obra 1984. A ideia de que há um Grande Irmão que tudo vê, tudo escuta e tudo controla é assustadora e não tão distante como possamos pensar. Então, assim que vi esta nova edição, da Porto Editora, lançada já em 2021, com capa magnificamente ilustrada por Vhils, tive que comprar.

É certo que o autor é manifestamente contra o socialismo, pelo menos na sua forma mais musculada (como a que existiu na falecida URSS). Assim, é natural que esta obra seja sobre uma forma de autoritarismo socialista, levado ao extremo. A verdade é o que o partido quer. O passado é aquele que ao partido convier. O presente é exatamente como o partido previu. E por aí fora. O partido, personificado no Grande Irmão, tudo controla. The Big Brother is watching you.

O romance carnal a que assistimos no início do livro serve apenas para nos apresentar os personagens e o seu contexto. A brutalidade a que o Winston é sujeito é apenas a verdadeira face do ser humano quando detém o poder. O homem em quem se transforma Winston no final é espelho da humanidade, que, para se proteger, tem fechado os olhos, ao longo da história, a todas as formas de violência e opressão.

O Ser Humano tem potencial para muito mais. Preferimos esconder-nos por detrás dos Big Brother da história, mas, no presente, eles só terão o poder que permitirmos. Vivemos um momento em que alguns aspirantes a Grande Irmão estão à espreita. Sob aspeto de doçura, as suas palavras são fel, são puro ódio e puro egoísmo. Querem mesmo dar-lhes o poder?

E porque ler é uma das formas de exercitar a mente e estamos numa época do ano em que temos mais tempo para o fazer, aqui fica a minha sugestão: leiam o 1984. Mas leiam com calma. Mastiguem. Pensem. Ler é isso!

publicado às 18:57

O Voo das Águias

por Nunol0pes, em 19.05.21

o voo das aguias.jpg

Em 1979 deu-se a revolução no Irão que depôs o Xá Mohammad Reza Pahlevi. Nessa sequência, foi implantada a república islâmica teocrática sob o comando do Aiatolá Ruhollah Khomeini.

Até à revolução, os ocidentais viviam no Irão com alguma tranquilidade. As empresas multinacionais estrangeiras faziam os seus negócios no Irão sem grandes impedimentos. Mas o povo vivia na miséria. Há rastilho melhor para começar uma revolução? É esse o ambiente onde se passará grande parte da história que Ken Follett (autor que me surpreende em cada novo livro) nos conta em “O Voo das Águias”.

Paul e Bill, americanos, são quadros de uma multinacional também americana. Graças a algumas suspeitas relativas à forma como a empresa ganhou alguns contratos milionários com o estado iraniano, Paul e Bill são presos. A trama desenvolve-se em torno nas tentativas de libertar Paul e Bill tendo o explodir da revolução como pano de fundo.

Como já me habituou, Ken Follett conta aquela que podia ser a história mais enfadonha com uma arte e um suspense que me prenderam até ao último capítulo. Será que vão conseguir escapar?

Recomendo. É um excelente thriller!

publicado às 17:06

A Princesa de Gelo

por Nunol0pes, em 03.04.21

A-Princesa-de-Gelo.jpg

Neste fim de semana prolongado e de confinamento, tenho aproveitado para fazer algumas coisas que me dão prazer: exercício físico, ler, escrever, ver séries, dormir, formar-me, etc.

Terminei hoje de ler um livro de uma autora sueca - Camilla Läckberg – que é apresentada pela editora como “a nova Agatha Christie que vem do gelo”. A meu ver, pelo menos tendo em conta este livro que acabei de ler, cumpre.

O livro chama-se A Princesa de Gelo e é um policial muito interessante. Tudo começa com a morte de uma mulher jovem e cosmopolita. Quem a matou e porquê? Esse é o mote de toda o enredo. Os personagens foram muito bem construídos e estão recheados de detalhes deliciosos.

A trama é bem conduzida e ficamos presos a ela desde a primeira página e os segredos vão sendo desvendados nos momentos certos.

Para quem gosta do género policial e gosta de obras inteligentes e bem escritas, então pode começar por ler este livro. Aconselho!

Boas leituras e boa Páscoa!

publicado às 20:16

O tolo

por Nunol0pes, em 11.03.21

Ele sai porta fora. Leva os auriculares. Vai a falar com um amigo ao telefone. Nota que algumas pessoas olham para ele de uma forma diferente. Passa nos contentores e deixa o lixo. Decide continuar a caminhar para dar a volta ao quarteirão. Desliga a chamada. Cruza-se com uma pessoa que (novamente) olha de forma diferente. Exclama ele a rir: "Ai a máscara!"

E pronto, esse tolo sou eu. Vim para casa imediatamente e pela estrada para não me cruzar com ninguém.

O que vale é que aqueles com quem me cruzei passaram bem longe.

Podiam ter-me avisado, não?

publicado às 19:02

Festival da Canção

por Nunol0pes, em 07.03.21

A edição deste ano do Festival da Canção teve boas músicas. Não estavam todas ao mesmo nível, mas isso seria pedir demasiado, acho eu.

Uma das músicas, para mim a que merecia ganhar, foi prejudicada pelo júri. Prefiro não acreditar que a ação do júri foi concertada ou intencional. Mas que o NEEV e a música Dancing in the stars mereciam ganhar, é um facto, ditado pelo que o público votou.

Acho que poderíamos estar mais bem representados na Eurovisão, mas apoiarei os vencedores, que eram a minha 3ª opção.

Sabemos que as regras do Festival ditam que a média das votações dos júris e do público ditam o vencedor. Mas, parece-me que algo falhou. O apelo ao voto foi feito de forma intensiva durante toda a semana. O público votou em massa. O júri, cuja qualidade prefiro não comentar, decidiu de uma forma que a todos causou estranheza.

A meu ver, existem três soluções que poderiam ajudar no futuro:

  1. O voto do público deve ter o (único) poder de decisão na final;
  2. Os números para votar não devem ser pagos;
  3. Apenas deve ser aceite um voto por nº de telefone;

A RTP não é uma qualquer estação privada para quem o lucro é quem manda. É a televisão de todos nós. Deve respeitar o seu público, digo eu...

E agora, The Black Mamba, vamos lá fazer magia na Eurovisão!

publicado às 17:32


Mensagens

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D